Em quem VOCÊ votará em 2 de outubro?

Últimas Noticias
recent

Que tristeza a condição dos professores!

Que tristeza a condição dos professores!


Manchete de "O Estado de São Paulo" envergonha-nos: "Professor do ensino fundamental no país é um dos mais mal pagos do mundo". E a lemos nos dias que antecederam a eleição de prefeito e vereadores. Em qualquer cultura que se preze, um professor do ensino fundamental representa muito mais e cumpre papel imensamente mais importante que um vereador. E que diferença de salário! Por que não se invertem os investimentos do Estado?
Evidentemente, o salário não significa o último critério de valor de uma profissão ou vocação. Revela, antes, os jogos de interesses do sistema capitalista. O campo privado rege-se pela trindade sagrada de lucro, mercado e capital. E tal se pensa em curto prazo, especialmente no capitalismo brasileiro, altamente imediatista. Que executivo, que profissão, que cargos rendem mais no jogo do mercado? Aí estão os privilegiados. Difícil interferir nesse campo, já que aí não funcionam a ética nem os valores sociais nem o bem da nação.
No referente ao Estado, haveria possibilidade de ser diferente. Em princípio, ele existe precisamente para salvaguardar os direitos dos cidadãos em face dos outros. No entanto, a democracia representativa tem vício grave, que, até agora, pareceu insuperável. Os homens do poder entram em círculo vicioso retroalimentador quase invencível.
Os políticos votam o próprio salário. Algo realmente espantoso. E elegem-se à base de alianças com poderes econômicos aos quais se submetem para manter-se no poder em sucessivas eleições.
O professor do ensino fundamental não dispõe de influências sobre os próprios salários. Daí terem que assumir outras tarefas para subsistir. Pesquisa aprovada pela ONU revela que um professor de São Paulo tem rendimento médio equivalente a 10% do que ganha um docente suíço e inferior à média dos trabalhadores do país. E o que falar dos professores nos interiores do Brasil que, às vezes, não chegam a ganhar um salário mínimo?
O país só terá futuro se inverter seriamente tal política, incentivando os professores e permitindo-lhes, com salários melhores, dedicar mais tempo aos alunos, e não simplesmente as horas de salas de aula. A violência escolar com surtos assustadores se combate não com polícia, mas com mais tempo de formação humana para as crianças e adolescentes. Estes, quando se juntam em sala de aula, assumem posturas enlouquecidas. No entanto, na conversa cara a cara, com tempo e cuidado, reagem diferentemente.
Não existe educação sem tempo e cuidado. A presença de adultos ao lado do aluno dentro e fora da classe se faz hoje ainda mais necessária, devido à triste ausência dos pais. Os menores, entregues a eles mesmos e enturmados com colegas perigosos, criam hábitos perversos para toda a vida. Não nos admiremos que eles formem gangues de assaltantes e se deem a outras aventuras criminosas. A luta contra o crime começa na escola fundamental. E o investimento nela traz enorme economia para o país, sem falar de segurança e felicidade para tanta gente. Muita cegueira descuidar tal setor da vida social!

J. B. Libanio - Teólogo jesuíta. Licenciado em Teologia em Frankfurt (Alemanha) e doutorado pela Universidade Gregoriana (Roma). É professor da FAJE (Faculdades Jesuítas), em Belo Horizonte.





lagoarealnews

lagoarealnews

Nenhum comentário:

Lagoa Real News. Tecnologia do Blogger.