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Casamento de padres: o que Francisco já disse sobre isso

Uma carta coletiva de 26 mulheres que têm casos com sacerdotes na Itália pede que se reabra o debate sobre o celibato

© P.DELISS / GODONG

Vinte e seis mulheres “comprometidas sentimentalmente com um padreou religioso” escreveram ao Papa Francisco para expor-lhe sua situação e pedir-lhe que “abençoe seu amor”.
Estas mulheres, em sua maioria italianas, que assinam com suas iniciais, expressam seu sofrimento, nascido do “dilema” ao qual ela e seus parceiros dizem enfrentar: o abandono do sacerdócio ou a continuidade de um relacionamento secreto incômodo, excluindo a concepção de um filho.
Afirmando “amar muito a Igreja”, mostram sua esperança de que o sacerdócio do homem com quem compartilham a vida e o amor mútuo possa ser vivido conjunta e plenamente. Sua carta evidentemente está destinada a reabrir o debate sobre o celibato dos padres.
 
O caso de um bispo argentino
 
O que o Papa Francisco pensa sobre isso? Como sacerdote e depois como bispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio enfrentou esta situação, que sempre surge, com matizes diferentes, ao longo da história da Igreja.
O caso mais conhecido (e que gerou muita polêmica na época) é o do bispo da diocese argentina de Avellaneda, Dom Jerónimo Podestá. Em 1966, quando tinha 45 anos, havia estabelecido uma relação conjugal com Clelia Luro, uma mulher separada e mãe de 6 filhos. Em 1976, quando já havia abandonado seu cargo episcopal, ele passou ao estado laico e se casou com ela.
O então bispo de Buenos Aires, Bergoglio, sempre demonstrou sua caridade a este casal. Assistiu Pode está no momento da sua morte, em 2000, e manteve contato com sua viúva até seu falecimento, em novembro de 2013. Mas uma coisa é a caridade com as pessoas e outra, as convicções.
 
A tradição do celibato tem peso e validez
 
Bergoglio sempre foi claro sobre a tradição latina do celibato dos padres. No livro “Sobre o céu e a terra”, escrito conjuntamente com o rabino Abraham Akorka, ele diz claramente: “A questão é abordada na Igreja Católica ocidental a pedido de algumas organizações. Por enquanto, a disciplina do celibato se mantém. Alguns dizem, com certo pragmatismo, que assim se perde mão-de-obra. No caso hipotético de que o catolicismo ocidental devesse revisar a questão do celibato, acho que o faria por razões culturais (como no Oriente), e não tanto como opção universal”.
“Por enquanto – continua Bergoglio – eu estou a favor de que se mantenha o celibato, com todas as vantagens e desvantagens que comporta, porque é objeto de dez séculos de experiências positivas mais que de erros. A tradição tem um peso e uma validez. Os ministros católicos escolheram gradualmente o celibato. Até o século XII, alguns o escolhiam, outros não... É uma questão de disciplina, não de fé. Poderia ser mudada. Mas, pessoalmente, nunca pensei em me casar.”
 
O direito natural prevalece sobre o direito do sacerdote
 
Mas e se um padre engravidar uma mulher? Também em “Sobre o céu e a terra”, Bergoglio responde: “Quando um sacerdote nesta situação vem se encontrar comigo, tento tranquilizá-lo pouco a pouco, e lhe faço compreender que o direito natural prevalece sobre o seu direito como sacerdote”.
E prossegue: “Por conseguinte, ele deve deixar seu ministério e cuidar do seu filho, ainda que não se case com essa mulher. Porque essa criança, assim como tem direito de ter uma mãe, também tem direito de ter um pai com um rosto. Eu me encarrego de arrumar todos os detalhes administrativos com Roma. Mas ele precisa deixar seu ministério.”
O que o Papa atual não suporta é essa “vida dupla” da qual falam as 26 signatárias da recente carta para denunciar o lado incômodo e doloroso da situação.
“Levar uma vida dupla não é bom, não gosto disso, é alimentar a falsidade – afirma o Papa. Às vezes, eu digo: se você não está em condições de respeitar o celibato, tome uma decisão.”

Fonte: http://www.aleteia.org/
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