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Brasileiros pagam preço das isenções fiscais para patrocinadores da Copa

A Fifa deve terminar a sua insistência “obscena” de que em países-sede da Copa deve haver incentivos fiscais no valor de centenas de milhões às empresas patrocinadoras do evento, pede nova campanha da InspirAction, organização da Christian Aid.
 
De acordo com informações divulgadas pela própria Christian Aid, o Brasil vai perder até R$ 1.174.133 em renúncia fiscal para os patrocinadores da Copa do Mundo, incluindo McDonalds, Budweiser e Johnson & Johnson. “O preço destes incentivos fiscais para empresas gigantes será pago por pessoas que vivem em situação de pobreza no Brasil, o que é obsceno”, disse Isabel Ortigosa, da InspirAction.
 
A InspirAction lançou uma petição ao presidente da Fifa, Blatter, afirmando que “dar incentivos fiscais para a Copa do Mundo patrocina o cartão vermelho... não deveria haver imposição dessas regras para os países-sede da Copa no futuro”.
 
As estimativas mais conservadoras indicam que a Receita Federal do Brasil vai perder cerca de £ 145.000.000 de benefícios fiscais para os patrocinadores da Copa do Mundo, embora algumas estimativas sugerem que a perda pode chegar a £ 312.000.000.
 
Um Brasil de constrastes

A desigualdade no Brasil é tão grave que o 20% das pessoas detém quase 60% de toda a renda, enquanto 20% (cerca de 40 milhões de pessoas) obtém apenas 3% da renda, segundo dados do Banco Mundial.

A propriedade da terra é também acentuadamente desigual, com quase um terço de toda as propriedades rurais nas mãos de menos de 1% de proprietários, de acordo com pesquisa publicada pela Christian Aid. Partes do sistema tributário do Brasil exacerbam a desigualdade, através da imposição de encargos por vezes impossíveis às pessoas pobres. Enquanto os patrocinadores da Fifa não pagam imposto, 10 comunidades quilombolas no estado do Pará enfrentam uma dívida do imposto territorial rural de £ 4 milhões, a qual não têm nenhuma esperança de pagar .
 
A advogada Carolina Bellinger, da Comissão Pró-Índio de São Paulo, organização parceira Christian Aid, que está apoiando as comunidades na luta contra esse imposto, diz que o caso significa “enorme insegurança para 1.000 famílias na região e poderia afetar mais outras 8.500 no norte do Pará”.
 
Mara Luz, responsável Adjunta da Christian Aid na América Latina e no Caribe, afirmou que “os fãs que viajam para apoiar o seu país na Copa do Mundo não terão a chance de ver o Brasil real ou como as famílias quilombolas estão sofrendo por causa de um sistema fiscal injusto. Em vez disso, terão uma branda e corporativa visão do país.”

Fonte: http://www.conic.org.br/
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