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Mensagem para o Ano Novo Eclesiástico (2014) do Patriarca Ecumênico Bartolomeos

Patriarca Bartolomeos
A Toda Igreja: Graça e Paz do Criador,
Aquele que sustém e governa toda Criação, nosso Senhor Deus e Salvador Jesus Cristo

Abençoados irmãos, irmãs e filhos no Senhor,
A Mãe comum de todo mundo ortodoxo, a Igreja de Cristo, Corpo de nosso eterno Senhor e divino-humano Jesus Cristo, ministra de maneira compassiva através de todas as suas atividades, mas especialmente através da Divina Eucaristia, ao oferecer os Santos Dons a seu Criador pelo mistério da salvação. Ela o faz com ilimitado e indiscriminado amor para com todos os seus membros num grau também demonstrado por nosso Pai celestial.

Em sua memória orante, a Igreja sempre teve em mente a presença de seus filhos, mantendo um vívido interesse e preocupação para com tudo que relate e influencie suas vidas. Eis porque não permanece impassível ou indiferente pela dinâmica ou a diária destruição do ambiente natural, consequência da ganância humana ou seu mau proveito. Isto é fruto de seu desvio de diante da face do Senhor, vindo a causar uma turbulenta consequência na natureza, afetando sua coroa - a existência humana - cuja sobrevivência se vê ameaçada.
O Patriarcado Ecumênico e nós vemos avaliando por muitos anos os sinais de nossos tempos tanto como a obrigação Eucarística da Igreja Ortodoxa. Assim, declaramos e devotamos o início do ano eclesiástico, nomeadamente 1º de setembro (14 para os antigos calendaristas), como um dia de oração e suplicação pela preservação da criação de Deus, herdada por nós como nosso meio-ambiente. Neste dia, abaixemos nossos corações e almas, invocando a Palavra do Senhor para que Ele desça do Alto sobre a Sua criação com uma gentileza amorosa que possa ultrapassar nossos pecados e ganância, “abrindo Suas mãos para abraçar toda a criação em Sua bondade” e trazer um fim ao caminho destrutivo do mundo.
É claro, progressos significativos vem sendo realizados nas últimas décadas no que concerne a proteção do ambiente, especialmente através de graduais tomadas de consciência das pessoas, assumindo precauções e medidas restritas, criando programas sustentáveis, retornando a fontes de energia mais moderadas, bem como as muitas e frutificantes atividades. O esforço e a preocupação da Igreja Mãe de Constantinopla contribuiu de grande maneira a este processo em cooperação com instituições e organizações ecológicas internacionais. Sem isto, tudo seria insuficiente.
Assim como celebramos mais uma vez este ano a Festa da Indicção Bizantina, e inauguramos um novo ano da graça do Senhor, dirigimos a abençoada plenitude da Igreja Ortodoxa e o mundo inteiro, convidando todas as pessoas à contínua vigilância, consciência e mobilização de suas fontes com o propósito de retornar ao estado que reflete – não da absoluta Eucaristia e condição doxológica de Adão e Eva – mas, pelo menos na condição inspirada pela graça e misericórdia de Deus.
A exploração sem limites e insaciável das fontes naturais da criação, causa ainda primária da destruição do ambiente natural é – de acordo com o testemunho da teologia, ciência e artes – o resultado da queda do homem, quer dizer, nossa desobediência ao mandamento do Senhor e o não conformar-se com Sua santa vontade.
Todavia, a Igreja faz dom do antídoto para a resolução de nossa crise ecológica, convidando cada um de nós à restauração da divina imagem à sua beleza original. A reabilitação da natureza humana decaída por meio do sopro do Espírito Santo e a participação aos dons restaura uma relação balanceada entre a humanidade e a criação, feita por Deus para nosso júbilo e deleite, mas também para que a ofereçamos a Ele, enquanto seu Criador.
A Igreja Mãe nos chama a “cultivar toda criação na divina Palavra e no Espírito doador de vida”, tal como São Simeão o Estilita, que celebramos hoje, a fim de que possamos ascender “do natural ao sobrenatural” e alcançar nós mesmos “as simples e absolutas visões místicas da teologia”, com o propósito de se oferecer desde a criação ao Criador. Isto é a presença do Espírito Santo que deifica a humanidade e ao mesmo tempo a une com o ambiente natural para que possamos percebê-lo como parte de nosso próprio ser e respeitemos como algo de sagrado sem desviar-se por abusos e extremos.
O carinho da humanidade pelo mundo natural não pode acontecer possivelmente através de ganancioso abuso mas por uso respeitoso, nomeadamente respeito dentre os seres humanos e todas os seres criados bem como com tudo que tem vida e oferece vida, criado “muito bom” pela palavra de Deus, quer dizer, com todos os elementos da criação, tanto visíveis como invisíveis. Assim, devemos estar aptos a beber água da rocha que mana vida, a fim de contemplar o sol criado e conceber o sol espiritual de justiça, olhar para além da coluna material de São Simeão e ver a verdadeira coluna de luz, a testemunhar as nuvens de chuva e adentrar a nuvem do Espírito Santo para que possamos repousar lá, onde Cristo ingressa como precursor, e ter nossos nomes escritos enquanto primogênitos da Igreja Celeste.
Somente quando procedemos com este pensamento – respeitando a contribuição de cada ser vivo e cada vegetal na universal liturgia da vida – que podemos resolver com o poder da divina graça e não por meios da fraca violência humana todas as mudanças de nosso ambiente. Esta mensagem de vida é a mensagem de nossa responsabilidade em continuar nosso combate espiritual e nosso esforço de oração, exortação, encorajamento e apelo, atraindo a atenção de todas as pessoas olhando para a necessidade de se proteger a nos próprios da eminente ira resultante de nosso estranhamento da natureza. O foco constante da humanidade em coisas terrestres e corruptíveis provoca problemas ecológicos tal como quando nos voltamos, cada vez mais, a terra e a este mundo alienando-nos tanto do céu como de Deus.
A Santa Mãe e Grande Igreja de Igreja incessantemente assume e cultiva esta responsabilidade obrigatória e salvífica para a proteção do ambiente para a continuação tanto espiritual como material da vida em nosso planeta. Todavia, com este propósito, estaremos organizando uma Cúria Ambiental em junho próximo sobre o tema “Teologia, Ecologia, e a Palavra: uma conversação sobre meio-ambiente, literatura e as artes.” O objetivo desta conferência é o de despertar a consciência global à específica e particular importância da dimensão ética e espiritual da crise ecológica – com especial referência às artes e literatura – com o intuito de retornar à sua “beleza original”, que é o propósito natural, pleno e sagrado daquilo que foi formado pelas criativas mãos do Verbo divino.
Tendo “em nós mesmos a memória inviolável do Julgamento do Senhor”, testemunhamos deste Sagrado Centro de toda Ortodoxia à verdade do mundo e chamamos a atenção de todos os perigos que se apresentam diante de nós, com a graça de Deus irão seguramente evitar sua amada providência. E convidamos cada um a obrar pela preservação e o retorno de nosso mundo à Fonte de Vida, pelas intercessões de nossa Toda-Santa e Sempre-bendita Mãe de Deus, de São Simeão o Estilita e de todos os Santos. Amém.

+ BARTOLOMEOS
pela misericórdia de Deus,
Arcebispo de Constantinopla-Nova Roma e Patriarca Ecumênico

1º de setembro de 2014 .
Fonte: http://auroraortodoxia.blogspot.com.br/
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