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Mulher sequestrada oferece emprego ao seu verdugo: “Deus é perdão”


Após uma de suas recentes audiências, o Papa Francisco deu sua bênção apostólica a um grupo de pessoas vítimas do conflito armado na Colômbia. Sandra Gutiérrez, vítima da guerra, pediu ao Papa que rezasse pela “ferida que continua aberta no meu coração”: a paz da sua pátria.
Sandra é uma mulher que abraçou seu sequestrador após ter sofrido maus-tratos, assédio, perseguição e a morte de um ente querido. Ela diz viver um enérgico compromisso por uma solução ao conflito armado que atinge a Colômbia há 50 anos.
Ao contrário de muitos, ela testemunha que preferiu deixar o ódio para trás e trabalhar pela solução. Ela se dedica a dar dignidade, por meio de um emprego, àqueles que viviam das armas. Em suas palavras há um interrogante aberto: “Quem sou eu para não perdoar, ao ver tanta dor?”.
 
Como foi o encontro com o Papa Francisco?
 
Foi muito emocionante, porque o Papa reza pela paz da minha nação todos os dias, e uma das petições que eu trazia era a de que ele orasse pela paz do meu país. Ele enviou uma mensagem aos nossos irmãos: “Chega de guerra! Chega de morte!”.
 
Entre 1990 e 2002, você, que hoje tem 46 anos, foi vítima várias vezes de diversos grupos armados ilegais, sofrendo pessoalmente um sequestro, ataques contra a sua família, que tiveram como consequência mortes e deslocamento forçado. Você poderia nos contar mais sobre as circunstâncias do seu sequestro?
 
Eu estava fazendo um trabalho. Era funcionária do governo. Alguém me acusou de ser uma colaboradora da guerrilha. Eu tinha sido contratada pelo governo para construir casas populares na zona rural, quando fui sequestrada pelos paramilitares.
 
Depois desse sequestro, sabemos que você não conseguiu mais ter família, e suas feridas físicas e psicológicas lhe causaram grandes transtornos, que só por meio do perdão você conseguiu superar. É fácil perdoar?
 
É fácil quando a pessoa consegue se reconciliar consigo mesma. Estou em contato com Deus, que é o único que pode curar os corações feridos e endurecidos. Não foi fácil percorrer o caminho do perdão, mas saí ganhando quando o trilhei.
 
Você se encontrou com os que antes foram seus verdugos?
 
Tive um encontro pessoal com um dos meus sequestradores. Eu lhe disse que eu o havia perdoado, que não se preocupasse, que o que aconteceu ficou no passado. Ele chorou. Nós nos abraçamos. Foi nesse momento que pude concluir meu processo de perdão. E foi aí que entendi que, se Deus me encheu de tanto amor, era para amar os outros. Inclusive a quem me prejudicou tanto.
 
Em sua empresa familiar, você empregou 36 pessoas que abandonaram as armas. Como funciona isso?
 
Eles precisam de uma oportunidade. Talvez, se tivessem tido uma oportunidade antes... Eu tento me colocar no lugar dos outros. Precisamos nos entender. Perdoar o imperdoável. Entender o incompreensível e ajudar-nos mutuamente.
 
Qual é a ferida mais difícil de curar?
 
A maior ferida que tenho é a de ver minha nação devastada. Não se trata de mim, nem desse familiar que eu amava e que mataram. Não se trata das humilhações sofridas nem da minha alma destruída, e sim de ver o meu país sofrendo. De ver o sofrimento das mulheres.
 
Porque cada vez que alguém morre no meu país, é o ventre de uma mãe que fica sem seu filho.
 
Como é sua relação com Deus neste momento?
 
É um Deus de amor. Eu acredito em Jesus Cristo. Cada vez que vejo a cruz do calvário, entendo que existe um caminho de salvação. Nessa cruz ficaram os homens e mulheres das FARC, os paramilitares, e nela fiquei também eu, com meus pecados, e ficou toda a humanidade.
 
Ele nos deu esse dom, o perdão, como um presente – porque não o merecíamos. Isso me obriga a dar o meu perdão também.

 
Como nasceu a ideia de dar emprego aos seus sequestradores?
 
Conversei com a minha família. Meus filhos aceitaram (eles administram a empresa da família). Eles seguiram o meu exemplo. Pensamos em abrir oportunidades de emprego a pessoas desmobilizadas. Estes são novos cenários de paz, porque a paz não é somente perdoar, e sim dar oportunidades. Por isso, esta decisão foi tomada em família.
 
Então o perdão é da família inteira?
No começo, não foi fácil, porque não entenderam, mas os valores que compartilhei com eles os fizeram mudar de ideia.
 
* * * 
Sandra, desde abril de 2013, é líder local em sua comunidade, na cidade de Villavicencio, e com grande coragem ofereceu espaço de reconciliação para que os desmobilizados prestem seu serviço social na comunidade.
Até agora, mais de 150 pessoas em processo de reintegração doaram seu tempo para apoiar esta comunidade, tornando-se um exemplo a ser seguido na Colômbia.

Fonte: Ataléia.org
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