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Estudo Epidemiológico e INB: As velhas questões que o povo fica sem saber

Santo Batista de Almeida, vice- prefeito do Município de Lagoa Real: “O que temos fruto da INB é somente a Academia Popular da Saúde, até as estradas que a empresa usa são do município”.
Nos dias 30 e 31 de outubro os pesquisadores Tarcísio Teixeira e Liliane Teixeira, da Fiocruz, em parceria com a INB, estiveram presente nos Municípios de Caetité, Livramento de Nossa Senhora e Lagoa Real, apresentando um estudo intitulado Estudo Epidemiológico na área de influência da mina de urânio em Caetité, Lagoa Real e Livramento de Nossa Senhora no Estado da Bahia.

A Comissão Paroquial do Meio Ambiente esteve presente nas apresentações do Município de Caetité e Lagoa Real, não podendo estar em Livramento de Nossa Senhora, tendo em vista a ausência de informação por parte das organizações sobre as atividades no presente município. A última apresentação aconteceu às dezenove hora, do dia 31 de outubro de 2014, no auditório do Centro de Treinamento de Líderes – CTL do Município de Lagoa Real, contando com a presença aproximada de 45 pessoas.
Não diferente do que ocorreu em Caetité, no dia 30 de outubro de 2014, e também no município de Livramento na mesma data, o objetivo da pesquisa foi de atender à condicionante específica 2.5 da Licença de Operação nº 274/2002, concedida pelo IBAMA à Unidade de Concentrado de Urânio das Indústrias Nucleares do Brasil – INB. A apresentação também visou demonstrar que não existe possibilidade de comprovar a relação entre o aumento do número de câncer com a exploração de urânio. (…)
Ao terminar a explanação houve a abertura do espaço para as colocações dos presentes, sendo que no primeiro momento houve um grande silêncio (podendo ser em consequência do cansaço com os sucessivos atos de ‘’marketing’’ desprovido de base material e ação concreta para melhoria junto às comunidades).
O tempo de silêncio foi quebrado por um “tsunami” de demandas, reclamações, questionamentos, reafirmações e interrogações por parte do conjunto de pessoas que se fez presente no auditório. Questionamentos que já perduram desde a chegada da empresa na região. As principais questões tratadas pelos presentes foram em relação às enormes dificuldades enfrentadas pela comunidade, tendo em vista que a sustentabilidade do município sempre foi relacionada à produção campesina com cultura de subsistência, em minifúndios, gerando produtos e subprodutos agropecuários (mandioca, laticínios, biscoitos, melancia, abóbora, entre outros), porém após a chegada da empresa a produção sofreu enormes prejuízos.
Neste aspecto, a fala do vice- prefeito do Município, Santo Batista de Almeida, reflete bem o que a INB trouxe para Lagoa Real e região nos últimos anos: “O que temos fruto da INB é somente a Academia Popular da Saúde; até as estradas que a empresa usa são do município”.
O estudo também foi confrontado com elementos do Relatório Preliminar Justiça Ambiental e Mineração de Urânio em Caetité/BA: Avaliação Crítica da Gestão Ambiental e dos Impactos à Saúde da População, elaborado por Marcelo Firpo de S. Porto, pesquisador da FIOCRUZ; Renan Finamore, pesquisador da FIOCRUZ; e Bruno Chareyron, Diretor do Laboratório do CRIRAD.
Foram levantadas três debilidades principais do estudo usado pela INB, que buscava convencer a população sobre a impossibilidade de relação entre o aumento do número de câncer com a exploração de urânio. Neste sentido, foram levantadas as seguintes informações contrárias à pesquisa apresentado por Tarcísio Teixeira e Liliane Teixeira: (1) o estudo avalia taxas de mortalidade por câncer e não as de incidência(surgimento de novos casos); (2) não há uma análise segmentada por tipos de câncer que tenham mais relação com exposições à radiação ionizante; (3) o tempo de latência (intervalo entre exposição e ocorrência do agravo à saúde) é desconsiderado (Chareyron, 2014. P. 25).
Assim sendo, bravamente a população de Lagoa Real (município afetado com passivo da mineração e com maior número das jazidas desta província urinífera) questionou a empresa e os pesquisadores buscando respostas. Entretanto, lamentavelmente os pesquisadores não tinha propriedade de falar pela empresa e os representantes da mesma afirmavam que não poderiam responder, pois não tinham conhecimento de causa sobre os aspectos levantados.
Num gesto trágico e de total desrespeito, a representante da empresa presente no espaço, antes mesmo de encerrar as atividades, convidou a todos para o lanche, buscando evitar mais perguntas e questionamentos. Concluiu sem concluir a apresentação do que não pode ser presente, afirmando o indefinido e tentando confundir aqueles que não se enganam mais com a prática rotineira de uma empresa que tem como característica o silêncio, a privação da informação, e que busca constantemente enganar em vez de esclarecer e informar a população.
* Comissão Paroquial de Meio Ambiente e Comissão Pastoral da Terra.
Fonte: http://racismoambiental.net.br/
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