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Em busca de um sentido de nação

Cada um dos indivíduos e grupos que participaram das manifestações públicas dos últimos dias teve a sua motivação particular para ir às ruas: repudiar ou apoiar o governo da presidente Dilma Rousseff e seu partido; protestar contra a corrupção na administração pública e/ou os impactos sociais do ajuste fiscal; defender a Petrobras;
pedir mais investimentos em educação, saúde e infraestrutura e vários outros. Para alguns desorientados, o perigo maior estaria no risco de uma suposta “bolivarianização” do País – percepção reforçada pela estapafúrdia ameaça de convocação do “exército de Stédile”, feita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e pelas provocativas ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
No entanto, acima das motivações individuais, paira uma percepção generalizada da disfuncionalidade terminal do sistema de representação política prevalecente e do seu divórcio cada vez mais profundo dos anseios e necessidades da sociedade em geral. De um modo geral, observa-se uma conscientização crescente sobre o esgotamento do sistema, que resultou na captura do aparelho do Estado por grupos de interesses particulares e corrompeu a democracia brasileira em uma cleptocracia, a qual o eleitorado é convocado a referendar a cada quatro anos.
Muitos desorientados acreditam que a mera troca de guarda no Palácio do Planalto poderá sinalizar uma reversão desse cenário, sem se darem conta de que a raiz do problema não está nas peças, mas em todo o sistema político, que experimenta uma crise sistêmica e necessita de um “choque de republicanismo” capaz de reorientá-lo para o serviço da coisa pública e do bem comum – em vez da “cosa nostra” e do bem particular.
Infelizmente, tratam-se de conceitos ausentes das discussões nacionais nas últimas décadas, desde que os destinos do País foram atrelados à dinâmica ilusória da “globalização” e aos apetites rentistas dos mercados financeiros internacionais, equivocadamente convertidos na força motriz do progresso mundial, e para cujo “apaziguamento” a sociedade brasileira foi convocada a pagar um alto preço, em termos de expectativas de melhora frustradas.
Ainda mais grave é o fato de que a própria presidente aparenta uma incapacidade de reagir à abrangência e à gravidade da crise, a qual demanda bem mais que medidas cosméticas como as anunciadas pelos ministros convocados para transmitir a sua posição frente às manifestações de 15 de março. Isto porque o aspecto mais grave da crise é a visível erosão de um sentido de propósito coletivo, sem o qual nenhuma sociedade consegue atravessar as turbulências de uma crise grave e, menos ainda, se projetar no futuro com uma visão positiva, outro requisito fundamental do processo civilizatório.
Ou seja, a grande tarefa política do momento é transformar esse sentimento difuso de desencanto e repúdio em um projeto nacional de desenvolvimento, que dê forma a esse sentido de propósito coletivo e funcione como um catalisador da criatividade e das energias da sociedade como um todo. O desafio é encontrar as lideranças, em todos os setores da sociedade, que se disponham a enfrentá-la e
concretizá-la.


Fonte: MSIA.
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